O Cantor de Jazz: O primeiro filme falado da história

O dia 06 de outubro de 1927 representa um marco na história da indústria cinematográfica. Há exatos 88 anos estreava nas telonas americanas “O Cantor de Jazz” (“The Jazz Singer”): o primeiro longa-metragem falado exibido comercialmente, representando a passagem do cinema mudo e inaugurando assim uma nova era do cinema mundial. Nos primeiros minutos do filme, que também é cantado, tudo parece igual ao estilo do cinema mudo: acompanhamento musical orquestrado, falas escritas dos personagens, um ou outro efeito sonoro. Isso até aparecer o primeiro momento de canto e, ao final, conhecemos a primeira fala dita e (ouvida!) no cinema: “Wait a minute, wait a minute, you ain’t heard nothin’ yet!” (Esperem um minuto, esperem um minuto, vocês ainda não ouviram nada!).


Quem proferiu a frase e entrou para a história foi o ator e cantor Al Jolson, protagonista do longa, que viveu o papel de Jakie Rabinowitz, um jovem judeu que desejava ser cantor, mas para alcançar o estrelato precisaria enfrentar a oposição de sua família.

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O filme dura aproximadamente 90 minutos, dos quais apenas 20 contêm sequências faladas, seguindo no seu restante com cenas mudas e orquestrações gravadas. A tecnologia utilizada para dar som às falas e ao canto (sincronização com disco de acetato) permitiria que todo o filme fosse sonorizado. Mas o advento do cinema falado representou mais do que um avanço tecnológico, uma grande mudança na linguagem cinematográfica, uma verdadeira transformação. Talvez por isso o cuidado em se fazer esta transição de maneira gradativa.

O cinema falado trouxe uma série de desafios nos aspectos técnicos, estéticos, criativos, linguísticos e até mesmo expressivos. Apesar de já existir canto e fala no cinema antes dessa data, os efeitos sonoros eram realizados por meio de execuções ao vivo em que os atores, atrás das telas, dublavam cenas de ópera ou narrativas. Porém, até então, a VOZ ainda não havia ocupado um papel de destaque no cinema, trazendo diálogos, expressando pensamentos e ideias, contando uma história por ela mesma. Assim, como construir um personagem? Como ficaria a interpretação? Como se trabalhariam os parâmetros vocais e expressivos nesta nova forma de fazer cinema?

Olhando sob essa perspectiva, vemos o quanto a entrada do cinema falado mexeu também com o ator e o seu desempenho estilístico/interpretativo, dando à sua voz um espaço que hoje ocupa com primazia na Sétima Arte.

Matéria cedida por:
Voice First

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